PESQUISA REVELA QUE ESTUDANTES DO ENSINO INTEGRAL TÊM NOTAS MAIORES NO ENEM
Escrito por Luciana Teixeira em 09/02/2026

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sonho Grande, baseada na análise dos microdados do Inep, revelou que estudantes de escolas estaduais com EMI (Ensino Médio Integral) apresentam um desempenho geral no Enem superior aos alunos de unidades de turno parcial.
O levantamento destaca que o impacto é especialmente positivo na área de matemática e suas tecnologias, onde as escolas de tempo integral — que exigem carga horária mínima de sete horas diárias — registraram uma média de cinco pontos a mais do que as instituições regulares.
Ensino integral por melhores resultados
Para o professor Felipe Guisoli, esse modelo de ensino é fundamental para superar a resistência que muitos estudantes ainda demonstram com a disciplina.
Com dez anos de experiência preparando alunos para vestibulares concorridos, Guisoli acredita que o primeiro passo para o sucesso é a quebra de bloqueios emocionais. “Sempre digo que, antes de aprender matemática, precisamos quebrar a barreira histórica que muitos ainda carregam. Há um histórico de apreensão com a área. Eu entendo: muitos alunos chegam com traumas, bloqueios, aquela sensação de que ‘nunca foram bons’ em matemática. Mas, a verdade é que isso não passa de uma apreensão equivocada. Meu papel, como professor, é ajudar a ressignificar essa relação. Quero que os alunos vejam a matemática não como um obstáculo, mas como uma linguagem poderosa para compreender o mundo, uma ferramenta criativa e, acima de tudo, acessível a todos. O ensino integral é um aliado importante para reforçar esse panorama”, enfatiza.
A metodologia defendida por Guisoli foca na mudança de mentalidade, substituindo a ideia de “dom” por um processo de construção contínua.
Segundo o professor, o que impede a evolução não é a falta de esforço, mas a ausência de um estudo estratégico e profundo. “Eu sempre insisto: mudar a mentalidade é o primeiro passo para transformar o aprendizado. Não existe essa história de que ‘não nasci para a matemática’. Isso é um mito. O que existe é um processo de construção, uma habilidade que se desenvolve com o tempo, com paciência e com método. O que faço aqui no Universo Narrado é estimular nos candidatos uma mentalidade de crescimento, mostrar que o esforço, a curiosidade e a perseverança são muito mais importantes do que qualquer suposto ‘dom’. Quero que eles enxerguem a matemática como uma aliada, não como uma ameaça”, conta.
CNN